| OBJETIVOS Apresentar as principais concepções de História do século XX e seus diversos e correspondentes paradigmas epistemológicos, com atenção especial aos contextos culturais e aos dilemas teóricos e metodológicos subjacentes, abrangendo desde as filosofias historistas de final do século XIX às concepções que se desdobraram das filosofias da linguagem nas décadas finais do século XX. Paralelamente a este conteúdo, a disciplina trará uma reflexão, num ponto limiar entre a interpretação e o testemunho, sobre a Teoria da História e o seu ensino, que acompanhou como um sismógrafo, tanto as mudanças institucionais da Universidade quanto as transformações sociais e políticas nas últimas quatro décadas. Forjada por um fluxo notável e sem precedentes de transformações tecnológicas de grande impacto, a transfiguração do panorama contemporâneo assinalou reformulações em todas as estruturas da sociedade, de suas representações culturais e quadros de valores. O corte repentino e sem remissão entre o passado e o futuro, apenas agravou a crise das utopias em sociedades baseadas no alargamento da privacidade, na erosão das identidades coletivas e no incentivo ao esquecimento social. Esse contexto, por si só, já torna necessário uma revisão dos grandes paradigmas filosóficos, a par de uma avaliação das novas situações, com seus novos desafios, seus potenciais ainda mal conhecidos e seus riscos ainda não devidamente calculados. |
| Justificativa: Esta disciplina visa uma apresentação de subsídios para reflexão sobre os grandes paradigmas teóricos das humanidades e dos seus impactos, destinos, impasses e desdobramentos ulteriores sobre e a História e a historiografia. Ela toma ainda uma forma paralela de balanço e reflexão do docente responsável sobre o ensino da disciplina – já que será, provavelmente, a última disciplina ministrada pelo professor. |
– Resumo do Conteúdo:
1.Romantismos na aurora da modernidade: impasses, sondagens, interpretações.
2.Crise dos naturalismos, cenário fin-de-siècle e crítica da cultura nas filosofias vitalistas.
3. O contexto dos modernismos e desafios teóricos da História na Era dos extremos.
4. Os dilemas das Filosofias da História: fascismos e obscurantismos epistemológicos.
5. Marxismos Ocidentais: a melancolia do tempo.
6.Cultura e História no pós-Guerra: guerra-fria, tecnocracias e estruturalismos.
7.Da guinada linguística à guinada subjetiva: narrativismo e filosofias da linguagem.
8.Novos paradigmas da ciência e seus desdobramentos teóricos: Caos, Fractais e paradigmas indiciários.
9.O universo digital e seus impactos sobre a conhecimento histórico.
– Métodos utilizados:
-Sessões expositivas, visando apresentação e a síntese dos itens do programa;
-Estudos em grupos e seminários, focados nas leituras e debates acerca dos principais tópicos das teorias da história na contemporaneidade.
– Bibliografia (indicações gerais).
| Ankersmit, F.R. Historia y Tropologia; ascenso y caída de la metáfora. Trad, Ricardo Rubio Ruiz, México, F.C.E, 2004. ————-, A Escrita da História: a natureza da representação histórica. Trad. Jonathan Menezes et alii. Londrina, Eduel, 2013. Assmann, Aleida. Espaços de Recordação; formas e transformações da memória cultural. trad. Paulo Sothe(coord.). Campinas, Edit. Da Unicamp, 2012. Armesto, Felipe F. Verdade; uma história. Trad. Beatriz Vieira. Rio de Janeiro, Record, 2000. ———–, Uma história da imaginação; como e por que pensamos o que pensamos. Trad.Carlos Malferrari. S.Paulo: Cia. das Letras, 2023 Baumann, Zigmund. Retrotopia. Trad. Albino Mosquera. Barcelona, Paidós, 2016. Campbell, Jeremy. A saga do mentiroso: uma história da falsidade. Trad. Virgina Martins Cortez. Rio de Janeiro, Graphia, 2008 Cannadine, David. (org.) Que é a História Hoje? Trad. de Rui Pires Cabral. Lisboa, Gradiva Editorial, 2006. (*) Crary, Jonathan. 24/7: O capitalismo tardio e os fins do sono. Trad. Joaquim T. Junior, S. Paulo, Cosac Naif, 2014. De Certeau,Michel. A Escrita da História. trad. bras. S. Paulo, Forense Universitaria, 1981. Dosse, François. Renascimento do Acontecimento. trad.Constancia Morel. S. Paulo, Edit. da Unesp, 2013. Dumoulin, Olivier. O papel social do historiador: da cátedra ao tribunal. Trad. Fernando Scheibe. Belo Horizonte, Autentica, 2017. Gaddis, John Lewis. The landscape of History; how the historians map the past. Oxford, Oxford U.Press, 2002. (trad. Bras. Pela edit. Campus) (*) Ginzburg, Carlo. O fio e os rastros; verdadeiro, falso, fictício. Trad.. Rosa Freire d´Aguiar e Luis Eduardo Brandão. S. Paulo, Cia das Letras, 2008. ———, Medo, reverência, terror: quatro ensaios de iconografia política. Tras. F.Carotti, S.P., Cia. das Letras, 2014. Graeber, D. e Wengrow,D. O Despertar de Tudo; uma nova história da humanidade. Trad. Denise Bottmann e Claudio Marcondes. S. Paulo: Cia. das Letras, 2022. Hartog, François. Evidência da história: o que os historiadores veem. Trad. Guilherme de Freitas, B. Horizonte, Autentica, 2012. ———, Chronos; o Ocidente confrontado ao tempo. Trad. Laurent de Saes. Belo Horizonte: Autentica, 2025 Hunt, Lyin. Writing History in Global Era. N. Iorque, Norton, 2018. Iggers, Georg G. Historiography in the Twentieth Century; from scientific objectivity to the postmodern challenge. Hanover, Wesleyan U. Press, 1998. (*) Jenkins,Keith. Re-Thinking History, N. Iorque, Routledge,1991.(Trad. Bras. Pela Editora Contexto, 2001). Kanteiner, Wulf. “Digital Doping for Historians: can History, Memory, and Historical Theory be Rendered artificially inteligente? IN History and Theory, 61, n.4 (2023). Kosseleck, R. Estratos do Tempo: estudos sobre História. Trad. Markus Hediger. S. Paulo, Contraponto/PUC RJ, 2014. ————-. Histórias de conceitos: estudos sobre a semântica e a pragmática da linguagem política e social. trad. Makus Rediger. Rio de Janeiro: Contraponto, 2020. LaCapra, Dominick. Compreender outros: Povos, Animais, Passados. Trad. Luis Reyes Gil. B.Horizonte: Autêntica, 2023. Lowenthal, David. El pasado es un país extraño. Trad. Pedro Monroy. Madri, Ediciones Akal, 1999. Ordine, Nuccio. A utilidade do inútil: um manifesto. Trad. Luiz Carlos Bombassaro. Rio de Janeiro, Zahar, 2016. Prost, Antoine. Doze lições sobre a História. Trad. Guilherme de Freitas Teixeira. B. Horizonte, Autêntica, 2008. Ricoeur, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Allan François e outros. Campinas, Editora da Unicamp, 2008. Rosenzweig, Roy. Clio wired: the future of the past in the digital age. N. York, Columbia U.Press, 2011. Saliba, Elias Th. Teoria da História em tempos digitais. IN Gonçalves, Marcia, org. Teorizar, aprender e ensinar História. Rio de Janeiro, Editora da FGV, 2021. ————- Raízes do Riso, 3ª. edição, São Paulo, Cia. das Letras, 2008. ————–“A Dimensão cômica da vida privada na República” IN História da Vida Privada no Brasil, vol. III: República: da Belle Époque a era do Rádio, org. Nicolau Sevcenko. 13º. Ed. S. Paulo, Cia. de Bolso, 2022, pp.289-366. ————, Cultura: as apostas da República IN História do Brasil-Nação, 4ª. ed., vol. 3: A Abertura para o Mundo,1889-1930, org. Lilia Schwarcz, Rio, Mapfre/Objetiva, 2019. ————-, Una ciudad descarrilada: cronistas del olvido y de las historias perdidas de São Paulo IN Ábaco; Revista de Cultura y Ciencias Sociales, n. 39, Madri: Taurus, 2004. —————-, Crocodilos, satíricos e humoristas involuntários; ensaios de história cultural do humor. S.Paulo, Intermeios/PPGHS-USP, 2018. ————–, (Org.) Modernismo: o lado oposto e os outros lados. S. Paulo: Editora do Sesc-SP/BBM-USP, 2023. ……………….,”1922: o Evento-Vesúvio e os tempos renegados.” IN Andrade, Gênese(org.) Modernismos:1922-2022. S. Paulo, Cia. das Letras, 2022. . ………………, “Histórias, memórias, tramas e dramas da identidade paulistana” IN Fernandes, Paula Porta (org.) História da Cidade de São Paulo, volume III. São Paulo: Paz e Terra, 2005, pp. 554-587. ………………., As Utopias Românticas. 2ª.ed. S. Paulo, Estação Liberdade, 2004. ………………., “Humor e Esfera Pública: reflexões antigas expostas à galhofa contemporânea” IN Incitatus; reflexões sobre humor e política. (orgs.: João Paulo Capelotti e Constantino Martins. (S. Paulo: Dialética, 2023). Sarlo, Beatriz. Tempo passado; cultura da memória e guinada subjetiva, trad. Rosa Freire d´Aguiar. S. Paulo, Cia. Das Letras, 2007. Seligmann-Silva, M. A virada testemunhal e decolonial do saber histórico. Campinas: Editora da Unicamp, 2022. Sibilia, Paula. O homem pós-orgânico:a alquimia dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais. Trad. Vera Chamma, Rio de Janeiro, Contraponto, 2016. Simon, Zoltán B. Os teóricos da História têm uma teoria da História? reflexões sobre uma não-disciplina. Trad. André Ramos. Vitoria: Editora Milfontes, 2019. Silva, Renán. Lugar de Dúvidas: sobre a prática da análise histórica(Breviário de inseguranças). Trad. Cristina Antunes. Belo Horizonte, Autentica, 2016. Taleb, N. Nicholas. A lógica do cisne negro;o impacto do altamente improvável. Trad. Marcelo Schild. Rio de Janeiro, Best-Seller, 2008. Wild on collective, Theses on Theory and History, may 2018, disponível em: https://www.academia.edu/36774892/Theses_on_Theory_and_History |
| Forma de avaliação: |
| -A avaliação será desdobrada em: 1.Apresentação de seminário sobre texto previamente indicado: 50% da avaliação 2.Elaboração de uma síntese final sobre um dos doze temas da disciplina, à escolha do discente: 50% da avaliação. |
Tipo de oferecimento da disciplna: Não-Presencial Informações adicionais do oferecimento da disciplina: As atividades presenciais consistirão na apresentação inicial do curso e na orientação individual dos discentes na elaboração dos seminários e monografia final. (10% da carga horária); 90% das aulas em formato remoto e síncronas. Presença na sessão inicial da disciplina e nos eventuais atendimentos de orientação aos discentes. A Camera e áudio são obrigatórios para todos os discentes. A avaliação será por escrito, que poderá ser enviada por e-mail. |